28 de set de 2012

Em livro, Occello Oliver narra a homossexualidade no Brasil e no mundo

                     
                    Carioca nascido, crescido e criado no Rio de Janeiro, como ele mesmo costuma falar, 39 anos sem medo de entrar nos “enta” e com uma disposição incrível para tocar, ao mesmo tempo, diversos projetos e assuntos das vidas social e profissional. Assim é Occello Oliver, o jornalista que acaba de lançar seu primeiro livro Fora do Armário. Com quase 15 anos de carreira em comunicação, Occello também é formado em Relações Públicas, possui uma empresa de comunicação e eventos, é produtor de festas LGBT e está prestes a voltar às salas de aula para o curso de mestrado em Comunicação Social.  Orgulha-se de ser um profissional que nasceu com vontade de mostrar que sabe desenvolver metas em seu trabalho e diga-se modestamente, muito bem. Nesta entrevista, ele conta sobre o lançamento de seu livro, cuja temática é o homossexual, e celebra a nova atividade: “não vou mais parar de escrever!”.

Occello Oliver lançando o livro Fora do Armário
Você acaba de lançar seu livro Fora do Armário, com temática dirigida ao público LGBT e que expressa a vida dos homossexuais. É difícil sair do armário e encarar a sociedade?

Ser homossexual no Brasil é quase questão de justiça. Temos elementos sociais que confundem a cabeça das pessoas e fazem com que elas pensem o pior sobre os gays. Existe uma imagem de perversão aos homossexuais, um repúdio e um ódio inexplicável. Eu pelo menos não consigo entender o por que disso. Temos uma tradição e cultura que culminam com ensinamentos diversos de conduta e moral, apesar de sermos um país que transborda cultura e diversidade política. Tudo começou num passado distante. E infelizmente não dá mais pra consertar nada. Nossa sociedade é estranha, tendo o lado A e o lado B. Os dois lados se comunicam à distância, o que torna difícil uma convivência em grupo. A era do CD Player, por exemplo, juntou dois lados de um disco de vinil em uma face de um minidisco ultra futurista, com qualidade impecável. Por que não podemos viver de forma impecável socialmente e aceitar grupos de pessoas como são?

Você acha que o homossexual vive menos ou mais reprimido atualmente?

O homossexual vive de forma cuidadosa. Estamos passando por uma fase complicada pois são inúmeros os casos de agressões sofridos pelos homossexuais. A homofobia está cada vez mais presente, não há lei que a combata e isso reprime qualquer homossexual.

Como jornalista, você vivenciou e experimentou situações que comprovam a desigualdade entre as pessoas?

Não precisamos ter uma determinada profissão para vivenciar indiferenças. Já presenciei ofensa e discriminação a negros, gordos, deficientes, judeus e claro, aos homossexuais.


Você acredita que a homofobia ainda está longe de se tornar crime? Crê em uma lei protetora dos homossexuais?

A homofobia sempre existirá, mesmo que haja a criação de uma lei que ampare os direitos de cidadãos dos homossexuais. Não sei por que a demora de se implantar isso. Vejamos que os negros, idosos, mulheres, crianças e adolescentes são assegurados em caso de agressões e maus tratos. O que falta para estabelecer o mesmo para os homossexuais? Boa vontade dos governantes ou falta de subsídios para se criar uma “delegacia rosa” exclusiva para atender gays desrespeitados?

Como surgiu a idéia de escrever “Fora do Armário”?

O projeto existe há muitos anos. Aproveitei trechos da monografia da faculdade de jornalismo, pesquisei muito sobre o tema, incluindo todos os assuntos relacionados aos homossexuais contidos no livro. Foram quase dois anos entre escritas, pesquisas, conversas com pessoas, contatos... Enfim, foi um trabalho extenso e intenso mas muito prazeroso de fazer. Não vi dificuldades pois como trata-se de um assunto que conheço e faço parte, não enxerguei obstáculos, pelo contrário. Vi muitas fontes informativas! Assunto não faltou!

Em um dos capítulos, você descreve sobre religião. Acha que a religião é contra ou a favor dos homossexuais?

Não. Nem contra nem a favor. As pessoas são espiritualizadas e cada uma tem sua fé e sua crença. Nosso país é místico, com muitas religiões, o que só confirma a teoria de que o brasileiro é um cara de fé! Cada um enxerga e sente suas necessidades religiosas de diversas maneiras. Eu carrego minha energia espiritual, você carrega a sua e Deus, que é o centro de tudo, faz parte de nossa jornada.

Seu livro é recheado de passagens históricas. Você conta sobre literatura brasileira, música, atualidades, badalações e outros temas atrativos aos homossexuais. O meio LGBT é carente de cultura?

Não. A cultura está ao alcance de todos. A todas as tribos, para todos os gostos e todos os estilos. A cultura é ampla, mista, heterogênea, suave e às vezes trash. Mas o nome já diz tudo: é cultura! Cultura é vida, é saber, é estar em diversos lugares e falar sobre tudo o que acontece.

A Blooks Livraria recebe o autor Occello Oliver para o lançamento do livro Fora do Armário
O público leitor de seu livro identifica-se com a diversidade?

Meu livro não é apenas para o público LGBT. É para todos! É um livro de pesquisas, em que acredito que há informações relevantes o bastante para auxiliar em informações e enriquecer a sabedoria de todos. Escrevi com o intuito de explicar e contar a todos sobre o que é ser homossexual e como a homossexualidade está contida no dia a dia deste país. Hoje é possível ver e conviver com homossexuais na ficção, por exemplo. É a arte imitando a vida! Quer testemunho maior que esse? No dia do lançamento, autografei o livro para pessoas de todas as idades, do pós adolescente ao idoso! Ou seja, á é uma grande evolução. A mensagem está no ar e é facilmente captada por todos!!

Pensa em seguir carreira como escritor?

Sim e claro! A experiência é maravilhosa, estou muito feliz com o lançamento. “Fora do Armário” é o primeiro de uma série que me pretendo elaborar. Posso adiantar que já estou nas pesquisas para o segundo. Só não posso dizer ainda o que é (risos). Não vou mais parar de escrever!


O que dizer para quem quer e já saiu do armário?

Não quero ensinar e não estou ensinando ninguém a sair do armário. Também não vou ensinar como se portar dali em diante. Isso é muito individual de cada um. Só posso dizer uma coisa: sigam os desejos de seus corações e sejam felizes. Não assustem e não faltem com o respeito a ninguém. E claro, nunca falte com o respeito a você mesmo!

Fotos lançamento: Rômulo Marques
Imagem capa: Metanoia Editora